PARIS! (Romance inédito)

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Adeus, banco, adeus, Universidade Federal

 

Estávamos aos 46 minutos do segundo tempo e o Geraldinho comemorava. Dois a zero para a França e já sonhando com a grana no bolso dele. E eu ainda torcia pelos franceses. Foi quando aquele loirinho de rabo de cavalo, chamado Petit dispara pela esquerda, espera o Taffarel sair e chuta no canto. Coloca a grana no meu bolso. Geraldinho broxou. E seu Agenor, sempre sábio, tomou a palavra:

— Um por todos e todos por um. Vamos fazer negócio. Juntar os dólares de nós três e fazer uma aplicação comum. Posso garantir que até março a gente quase triplica o lucro em reais.

Mas um outro doido havia colocava três a zero para a França. Ganhei — e recebi na hora — setenta e oito mil dólares.Com o que tinha no bolso e aplicado na Suíça, tinha pra mais de cento e sessenta mil dólares.

— Deixa comigo, dizia o seu Agenor.

Não pegamos o vôo de volta na manhã seguinte. Fomos para a Suíça. O plano era esperar o dólar disparar e abrir um negócio de manganês no Amapá. Adeus, banco, adeus, Universidade Federal. Nossa firma já tinha até nome: Agegre-G. Age de Agenor, gre de Gregório e G de Geraldinho.

A Dadala não ia acreditar. Seu Gomes estava garantido. Meu filho que já mexia também.

Por conta do seu Agenor – era mesmo um pai –, ainda fomos conhecer Amsterdã. De lá, cada um tomou o seu rumo. Foi uma bela Copa, não posso deixar de dizer.

A Dadala fez uma macarronada lá em casa e eu dei xampu para todo mundo. Fiz o maior sucesso. Não contei para ninguém dos meus dólares e das negociações com o seu Agenor e o Geraldinho. Só mais tarde, de noite, na cama, só eu e a Dadala, depois de mostrar serviço e provar a saudade e fidelidade e tomando cuidado com a barriga foi que eu contei tudo.

— Sim, estamos muito ricos. Mas, a partir de março estaremos muito mais. Esse bebê vai nascer em Paris, mon amie. Argent! Argent!

Na segunda-feira, como quem não quer nada, assumi meu posto no banco. Tive que contar muitas histórias. Todo mundo queria mesmo era saber o que tinha acontecido com o Ronaldinho.

E assim os meses foram passando. O dólar estável, a barriga da Dadala crescendo. E eu fazendo planos. De vez em quando, falava com os celulares do seu Agenor e do Geraldinho. Nossos planos cresciam. Seu Agenor garantia. O dólar vai disparar.

Não deu outra. Janeiro, fevereiro e março. A moeda americana foi para dois e tanto. Eu já tinha mais de quinhentos mil reais na Suíça.

Foi quando os celulares do seu Agenor e do Geraldinho só davam “fora de área”